Tópicos contidos neste resumo:
1. "O VENENO ESTÁ NA MESA"
De: ASSOCIAÇÃO IPÊ
Mensagem
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1. "O VENENO ESTÁ NA MESA"
Enviado por: "ASSOCIAÇÃO IPÊ" associacaoipe@gmail.com
Data: Seg, 8 de Ago de 2011 10:46 am
---------- Mensagem encaminhada ----------
>
>
>
> O brasileiro come veneno
>
> veja <http://brasildefato.com.br/taxonomy/term/5> ao final os links para
> assistir o fime.
>
> O documentarista Silvio Tendler fala sobre seu filme/denúncia contra os
> rumos do modelo adotado na agricultura brasileira
>
> *01/08/2011- Jornal BRASIL DE FATO*
>
> *Aline Scarso,
> da Redação*
>
>
>
> Silvio Tendler é um especialista emdocumentar a história brasileira. Já o
> fez apartir de João Goulart, Juscelino Kubitschek,Carlos Mariguela, Milton
> Santos, Glauber Rocha e outros nomes importantes. Em seu último
> documentário, Silvio não define nenhum personagemem particular, mas dá o
> alerta para uma grave questão que atualmente afeta a vida e a saúde dos
> brasileiros: o envenenamento a partir dos alimentos.
>
> Em O veneno está na mesa, lançado na segunda-feira (25) no Rio de Janeiro,
> o documentarista mostra que o Brasil está envenenando diariamente sua
> população a partir do uso abusivo de agrotóxicosnos alimentos. Em um ranking
> para se envergonhar, o brasileiro é o que mais consome agrotóxico em todo o
> mundo, sendo 5,2 litros a cada ano por habitante. As consequências, como
> mostra o documetário, são desastrosas.
>
> Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, Silvio Tendler diz que o
> problema está no modelo de de
>
> senvolvimento brasileiro. E seu filme, que também é um produto da Campanha
> Permanente Contraos Agrotóxicos e pela Vida, capitaneada por uma dezena de
> movimentos sociais, nos leva a uma reflexão sobre os rumos desse modelo.
> Confira.
>
> *Brasil de Fato – Você que é um especialista em registrar a história do
> Brasil, por que resolveu documentar o impacto dos agrotóxicos sobre a
> agricultura e não um outro tema nacional?*
>
> Silvio Tendler – Porque a partir deagora estou querendo discutir o futuro e
> não mais o passado. Eu tenho todo o respeito pelo passado, adoro os filmes
> que fiz, adoro minha obra. Aliás, meus filmes não são voltados para o
> passado, são voltados para uma reflexão que ajuda a construir o presente e,
> de uma certa forma, o futuro. Mas estou muito preocupado. Na verdade esse
> filme nasceu de uma conversa minha com [o jornalista eescritor] Eduardo
> Galeano em Montevidéu [no Uruguai] há uns dois anos atrás, em que
> discutíamos o mundo, o futuro, a vida. E o Galeano estava muito preocupado
> porque o Brasil é o país que mais consumia agrotóxico no mundo. O mundo está
> sendo completamente intoxicado por uma indústria absolutamente desnecessária
> e gananciosa, cujo único objetivo realmente é ganhar dinheiro. Quer dizer,
> não tem nenhum sentido para a humanidade que justifique isso que está se
> fazendo com os seres humanos e a própria terra. A partir daí resolvi
> trabalhar essa questão. Conversei com o João PedroStédile [coordenador do
> Movimentodos Trabalhadores Rurais Sem Terra], e ele disse que estavam
> preocupados comisso também. Por coincidência, surgiu a Campanha permanente
> contra os Agrotóxicos, movida por muitas entidades, todas absolutamente
> muito respeitadase respeitáveis. Fizemos a parceria e o filme fi cou pronto.
> É um filme que vai ter desdobramentos, porque eu agora quero trabalhar essas
> questões.
>
> *Então seus próximos documentários deverão tratar desse tema?*
>
> Pra você ter uma ideia, no contrato inicialdesse documentário consta que
> ele seria feito em 26 minutos, mas é muita coisa pra falar. Então ficou em
> 50 [minutos]. E as pessoas quando viram o filme, ao invés de me dizerem
> 'está muito longo', disseram 'está curto, você tem quefalar mais'. Quer
> dizer, tem que discutir outras questões, e aí eu me entusiasmei com essa
> ideia e estou querendo discutir temas conexos à destruição do planeta por
> conta de um modelo de desenvolvimento perverso que está sendo adotado. Uma
> questão para ser discutida deforma urgente, que é conexa a esse filme, é o
> agronegócio. É o modelo de desenvolvimento brasileiro. Quer dizer, porque
> colocar os trabalhadores para fora da terra deles para que vivam de forma
> absolutamente marginal, provocando o inchaço das cidades e a perda de
> qualidadede vida para todo mundo, já que no espaço onde moravam cinco, vão
> morar 15? Por que se plantou no Brasil esse modelo que expulsa as pessoas da
> terra para concentrar a propriedade rural em poucas mãos, esse modelo de
> desenvolvimento, todo ele mecanizado, industrializado, desempregando mão de
> obra para que algumas pessoas tenham um lucro absurdo? E tudo está vinculado
> à exploração predatória da terra. Por que nós temos que desenvolver o mundo,
> a terra, o Brasil em função do lucro e não dos direitos do homem e da
> natureza? Essas são as questões que quero discutir.
>
> *Você também mostrou que até mesmo os trabalhadores que não foram expulsos
> do campo estão morrendo por aplicar em agrotóxicos nas plantações. O impacto
> na saúde desses agricultores é muito grande...*
>
> * *É mais grave que isso. Na verdade, o cara é obrigado a usar o
> agrotóxico. Se ele não usar o agrotóxico, ele não recebeo crédito do banco.
> O banco não financia a agricultura sem agrotóxico. Inclusive tem um camponês
> que fala isso no filme, o Adonai. Ele conta que no dia em que o inspetor do
> banco vai à plantação verificar se ele comprou os produtos, se você não
> tiver as notas da semente transgênica, do herbicida, etc, você é obrigado a
> devolver o dinheiro. Então não é verdade que se dá ao camponês agricultor o
> direito de dizer 'não quero plantar transgênico', 'não quero trabalhar com
> herbicidas', 'quero trabalhar com agricultura orgânica, natural'. Porque
> para o banco, a garantia de que a safra vai vingar não é o trabalho do
> camponês e a sua relação com a terra, são os produtos químicos que são
> usados para afastar as pestes, afastar pragas. Esse modelo está
> completamente errado. O camponês não tem nenhum tipo de crédito alternativo,
> que dê a ele o direito de fazer um outro tipo de agricultura. E aí você
> deixa as pessoas morrendo como empregadas do agronegócio, como tem o
> Vanderlei, que é mostrado no filme. Depois de três anos fazendo a tal da
> mistura dos agrotóxicos, morreu de uma hepatopatia grave. Tem outra senhora
> de 32 anos que está ficando totalmente paralítica por conta do trabalho dela
> com agrotóxico na lavoura do fumo.
>
> *A impressão que dá é que os brasileiros estão se envenenandosem saber.
> Você acha que o fi lmepode contribuir para colocar oassunto em discussão?*
>
> * *Eu acho que a discussão é exatamente essa, a discussão é política. Eu,
> de uma certa maneira, despolitizei propositadamente o documentário. Eu não
> queria fazer um discurso em defesa da reforma agrária ou contra o
> agronegócio para não politizar a questão, para não parecer que, na verdade,
> a gente não quer comer bem, a gente quer dividir a terra. Esão duas coisas
> que, apesar de conexas, eu não quis abordar. Eu não quis, digamos assustar a
> classe média. Eu só estou mostrando os malefícios que o agrotóxico provoca
> na vida da gente para quea classe média se convença que tem quelutar contra
> os agrotóxicos, que é uma luta que não é individual, é uma luta coletiva e
> política. Tem muita gente que parte do princípio 'ah, então já sei, perto
> daminha casa tem uma feirinha orgânica eeu vou me virar e comer lá', porque
> são pessoas que têm maior poder aquisitivo e poderiam comprar. Mas a questão
> não é essa. A questão é política porque o agrotóxico está infiltrado no
> nosso cotidiano, entendeu? Queira você ou não, o agrotóxicochega à sua mesa
> através do pão, da pizza, do macarrão. O trigo é um trigo transgênico e
> chega a ser tratado com até oito cargas de pulverizador por ano. Você vai na
> pizzaria comer uma pizza deliciosa e aquilo ali tem transgênico. O que você
> está comendo na sua mesa é veneno. Isso independe de você. Hoje nada escapa.
> Então, ou você vai ser um monge recluso, plantando sua hortinha e sua
> terrinha, ou se você é uma pessoa que vai ficar exposta a isso e será
> obrigada a consumir.
>
> *Como você avalia o governo Dilma a partir dessa política de isenção
> fiscal para o uso de agrotóxico no campo brasileiro? *
>
> Deixa eu te falar, o governo Dilma está começando agora, não tem nenhum
> ano, então não dá para responsabilizá-la por essa política. Na verdade esse
> filme vai servir de alerta para ela também. Muitas das coisas que são ditas
> no filme, eles [o governo] não têm consciência. Esse filme não é para se
> vingar de ninguém. É para alertar. Quer dizer, na verdade você mora em
> Brasília, você está longe do mundo, e alguém diz para você 'ah, isso é
> frescura da esquerda, esse problema não existe', e os relatórios que colocam
> na sua mesa omitem as pessoas que estão morrendo por lidar diretamente com
> agrotóxico. [As mortes] vão todas para as vírgulas das estatísticas,
> entendeu? Acho que está na hora de mostrar que muitas vidas não seriam
> sacrificadas se a gente partisse para um modelo de agricultura mais humano,
> mais baseado nos insumos naturais, no manejo da terra, ao invés de intoxicar
> com veneno os rios, os lagos, os açudes, as pessoas, as crianças que vivemem
> volta, entendeu? Eu acho que seria ótimo se esse filme chegasse nas mãos da
> presidenta e ela pudesse tomar consciência desse modelo que nós estamos
> vivendo e, a partir daí, começasse a mudar as políticas.
>
> *No documentário você optou por não falar com as empresas produtoras de
> agrotóxicos. Essa ideia ficou para um outro documentário?*
>
> * *É porque eu não quis fazer um filme que abrisse uma discussão técnica.
> Se as empresas reclamarem muito e pedirem para falar, eu ouço. Eu já recebi
> alguns pedidos e deixei as portas abertas. No Ceará eu filmei um cara que
> trabalha com gado leiteiro que estava morrendo contaminado por causa de uma
> empresa vizinha. Eu filmei, a empresa vizinha reclamou e eu deixei a porta
> aberta, dizendo 'tudo bem, então vamos trabalharem breve isso num outro
> filme'. Se as empresas que manipulam e produzemagrotóxico me chamarem para
> conversar, eu vou. E vou me basear cientificamente na questão porque eles
> também são craques em enrolar. Querem comprovar que você está comendo veneno
> e tudo bem (risos). E eu preciso de subsídios para dizer que não, que aquele
> veneno não é necessário para a minha vida. Nesse primeiro momento, eu quis
> botar a discussão na mesa. Algumas pessoas já começaram a me assustar, 'você
> vai tomar processo', mas eu estou na vida para viver. Se o cara quiser me
> processar por um documentário no qualeu falei a verdade, ele processa pois
> tem o direito. Agora, eu tenho direito como cineasta, de dizer o que eu
> penso.
>
> *Esse filme será lançado somente no Rio ou em outras capitais também?*
>
> Eu estou convidado também para ir para Pernambuco em setembro, mas o filme
> pode acontecer independente de mim. Esse filme está saindo com o selinho de
> 'copie e distribua'. Ele não será vendido. A gente vai fazer algumas cópias
> e distribuir dentro do sentido de multiplicação, no qual as pessoas recebem
> as cópias, fazem novas e as distribuem. O ideal é que cada entidade, e são
> mais de 20 bancando a Campanha, consiga distribuir pelo menos mil unidades.
> De cara você tem 20 mil cópias paraserem distribuídas. E depois nós temos os
> estudantes, os movimentos sociaise sindicais, os professores. Vai ser uma
> discussão no Brasil. Temos que levaresse documentário para Brasília, para o
> Congresso, para a presidenta da República, para o ministro da Agricultura,
> para o Ibama. Todo mundo tem que veresse filme.
>
> *E expectativa é boa então?*
>
> Sim. Eu sou um otimista. Sempre fui.
>
> *Foto: Gabriela Nehring*
>
> *O FILME **"O VENENO ESTÁ NA MESA."*
>
>
>
> *Segue os links do filme "O veneno esta na mesa" do cineasta Silvio
> Tendler.
> Documentário denuncia a problemática causada pelos agrotóxicos, e faz parte
> de um
> conjunto de materiais elaborados pela Campanha Permanente Contra os
> Agrotóxicos e Pela Vida.
>
> **http://www.youtube.com/watch?v=WYUn7Q5cpJ8&NR=1*<http://www.youtube.com/watch?v=WYUn7Q5cpJ8&NR=1>
> * Parte 1
>
>
> **http://www.youtube.com/watch?v=NdBmSkVHu2s&feature=related*<http://www.youtube.com/watch?v=NdBmSkVHu2s&feature=related>
> * Parte 2
>
> **http://www.youtube.com/watch?v=5EBJKZfZSlc&feature=related*<http://www.youtube.com/watch?v=5EBJKZfZSlc&feature=related>
> * Parte 3
>
> **http://www.youtube.com/watch?v=AdD3VPCXWJA&feature=related*<http://www.youtube.com/watch?v=AdD3VPCXWJA&feature=related>
> * Parte 4
>
> **Divulguem.
>
> A reprodução e multiplicação é livre. Copiem, multipliquem, distribuam nas
> escolas, sindicatos, igrejas, etc.*
>
>
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