Tópicos contidos neste resumo:
1. Fwd: Washington Novaes: O terreno difícil dos agrotóxicos
De: ASSOCIAÇÃO IPÊ
Mensagem
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1. Fwd: Washington Novaes: O terreno difícil dos agrotóxicos
Enviado por: "ASSOCIAÇÃO IPÊ" associacaoipe@gmail.com
Data: Qua, 31 de Ago de 2011 4:37 pm
---------- Mensagem encaminhada ----------
De: Marcello Pessoa
http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/washington-novaes-o-terreno-dificil-dos-agrotoxicos.html
Washington Novaes: O terreno difícil dos agrotóxicos
Neste próximo mês de junho entra em vigor resolução da Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa) que proíbe (desde janeiro) a produção e a
comercialização de agrotóxicos que contenham como ingrediente ativo o
metamidofós. O veto à comercialização programado só para junho visou a
evitar que houvesse este ano prejuízos para cultivos, com indisponibilidade
de substitutos. Mas em junho de 2012 ficará proibido todo e qualquer uso do
metamidofós.
Os estudos que levaram à resolução concluíram que esse inseticida – usado no
País em lavouras de soja, algodão, feijão, batata, trigo, tomate e amendoim
– "não oferece segurança nem para trabalhadores, nem para consumidores, nem
para a população em geral" que possa estar exposta a seus resíduos: foi
considerado neurotóxico e imunotóxico, com atuação prejudicial aos sistemas
endócrino, reprodutor e ao desenvolvimento embriofetal. No Brasil, tem um
consumo anual em torno de 8 mil toneladas de ingrediente ativo.
O produto já está proibido em vários países, até mesmo na China. A resolução
da Anvisa – que estudava o problema desde 2008 e ficou 75 dias em consulta
pública, na qual teve 34 manifestações favoráveis e 22 contrárias – foi
aprovada por unanimidade pela Comissão de Reavaliação Toxicológica (que tem
membros da própria Anvisa, do Ibama e do Ministério da Agricultura). E já
tivera uma nota técnica, com estudos publicados e literatura científica,
avaliada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Mas setores da produção e da
comercialização, inconformados, continuam a contestá-la. E há uma ação à
espera de decisão na Justiça Federal em Brasília.
É uma questão em que se contrapõem fabricantes e produtores agrícolas, de um
lado, e cientistas, ambientalistas e sanitaristas, do outro. E não é só
aqui. Há poucos dias encerrou-se em Genebra a V Conferência das Partes do
Convênio de Estocolmo sobre Contaminantes Orgânicos Persistentes, no âmbito
do qual já foram proibidos 21 produtos. Que incluem pesticidas, substâncias
industriais e produtos que se propagam pelo solo, pelo ar e pela água, além
de se acumularem em tecidos de organismos vivos – incluindo humanos. São,
portanto, tóxicos para as pessoas, para a fauna e para a flora. Podem ser
transmitidos pelo leite materno, podem causar câncer, problemas reprodutivos
e alterações no sistema imunológico.
Esse tema dos agrotóxicos precisa de muita discussão no Brasil.
Na China, como informaram alguns jornais, há pouco registrou-se na Província
de Jiangsu perda praticamente total da safra de melancias porque, na ânsia
de apressar o crescimento e a venda, os produtores usaram agrotóxicos em
excesso. E as melancias passaram a explodir nas estufas. No Brasil, o uso de
alguns produtos levou a gravíssimos problemas de saúde entre os
trabalhadores, principalmente em lavouras de fumo. Num mercado mundial cada
vez mais atento a problemas dessa natureza, usos inadequados podem levar até
a restrições ou proibições de importação.
E o panorama brasileiro nessa área, como já foi assinalado neste espaço em
artigo anterior (18/4), merece muita atenção e cuidado. Já somos os maiores
importadores de agrotóxicos do planeta, com um consumo médio anual de 14
litros por hectare cultivado, mais 180 mil toneladas anuais de
fertilizantes. A importação aumentou mais de 20% em uma década e chegou a
80% do consumo total (quando era de 20% há 30 anos). Hoje, importamos 74% do
nitrogênio, 49% do fósforo, 92% do potássio. Nossa importação total de
defensivos chegou a US$ 6,6 bilhões em 2009, quando o total no mundo ficou
em US$ 48 bilhões.
O preço médio dos fertilizantes também teve forte alta em 2010, com
influência considerável no preço dos produtos, já que dependemos em 81% de
fertilizantes importados. Tanto que o relatório do Banco Central de 12 de
outubro de 2010 já mencionou que o maior fator de alta no preço de
commodities incluía essa questão. O índice de commodities agropecuárias
(açúcar, soja, trigo, carne) acusou, em dez meses do ano passado, alta de
46%. Para avaliar essa influência basta lembrar que hoje, no Brasil, as
lavouras de cana-de-açúcar usam 6,3 litros de agrotóxicos e insumos químicos
por hectare cultivado; as de milho, 6,7 litros; as de soja, 15,4 litros; e
as de algodão, 39,2 litros. O consumo total, de quase 1 bilhão de litros por
ano, equivale a seis litros por habitante do País.
Quando se retorna às questões de saúde, vale a pena ouvir palavras do
professor Wanderlei Pignati, médico e doutor na área de toxicologia,
professor na Universidade Federal de Mato Grosso, que, em parceria com a
Fiocruz, estuda a questão no município de Lucas do Rio Verde (MT), onde há
cinco anos houve um acidente de contaminação tóxica de pessoas por
pulverização aérea de defensivos. Ele analisou 62 mulheres que amamentavam
bebês. Todas as amostras "revelaram a presença de algum agrotóxico",
inclusive o DDT (diclorodifeniltricloroetano), já banido, e o endossulfan,
"proibido há 20 anos na União Europeia", mas que somente será banido no
Brasil em julho de 2013. "O metamidofós", também encontrado, diz professor
Wanderlei Pignati, "é cancerígeno e neurotóxico".
Segundo o toxicologista, legislação, no Brasil, há: "Mas existem alguns
furos. Primeiro, quem está fiscalizando? (…) E os critérios, como a
distância de 500 metros de nascentes de água, casas, criação de animais,
ninguém respeita." E acrecenta: "O litro de água que você bebe hoje pode ter
13 tipos de metais pesados, 13 tipos de solventes, 22 tipos de agrotóxicos
diferentes, 6 tipos de desinfetantes. Hoje, a questão mais importante na
contaminação da água não é mais a bactéria, mas toda essa contaminação
química" (Agência Brasil de Fato, 28/4).
Então, é preciso ter políticas adequadas, legislação competente. A
agricultura é fundamental para o País. Mas, na área dos agrotóxicos e dos
insumos químicos, é preciso muito cuidado, até para não ter, além de
problemas internos de saúde, barreiras comerciais externas.
JORNALISTA
E-MAIL: WLRNOVAES@UOL.COM.BR
PS do Viomundo: A reportagem do Brasil de Fato a que se refere o autor,
aqui, na verdade é reprodução de entrevista publicada por este site, aqui.
Aqui para ler entrevista com a pesquisadora que investigou os agrotóxicos no
leite materno.
Aqui para ler entrevista com a pesquisadora que investigou a relação entre
agrotóxicos e doenças respiratórias.
E aqui para ler entrevista com a professora Raquel Rigotto, que pesquisa o
mesmo tema no Ceará.
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